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Atmosfera

Atmosfera é a camada de ar que envolve o nosso planeta. Outros planetas do sistema solar também apresentam atmosfera.
Os gases que compõem a atmosfera são mantidos ao redor da Terra devido a atração da gravidade e acompanham o seu movimento.
A densidade do ar diminui à medida que aumentamos a altitude, sendo que 50% dos gases e partículas em suspensão estão localizados nos primeiros 5 km.
A atmosfera é fundamental para a manutenção da vida na Terra, pois:
  • É fonte de oxigênio, gás essencial para a vida.
  • Regula a temperatura e o clima terrestre.
  • É responsável pela distribuição da água no planeta (chuva).
  • Protege a Terra das radiações cósmicas e dos meteoros.
Atmosfera terrestre
Atmosfera: nosso escudo protetor.

Atmosfera Terrestre

A atmosfera terrestre apresenta diferentes características ao longo do seu perfil vertical e sua espessura é de aproximadamente 10.000 km.
A coluna de ar que a compõe exerce uma pressão, chamada de pressão atmosférica. Como ela depende da densidade do ar, conforme subimos, a pressão atmosférica vai se tornando menor.
A pressão atmosférica também sofre variações ao longo da superfície terrestre, sendo uma importante variável para as análises meteorológicas.
A atmosfera também é a responsável por vermos o céu azul durante o dia, pois suas partículas difundem predominantemente a radiação visível neste comprimento de onda.

Camadas da Atmosfera

Devido as distintas características que a atmosfera apresenta, em diferentes altitudes ela é dividida em camadas.
A camada mais próxima da superfície da Terra é chamada de troposfera. Ela se estende até uma altitude média de 12 km.
Essa camada corresponde a 80% do peso total da atmosfera e é onde ocorrem os principais fenômenos meteorológicos. A temperatura decresce com a altitude.
A seguir temos a estratosfera, que se estende até 50 km da superfície. A temperatura, que inicialmente é constante, passa a aumentar com a altitude devido a radiação absorvida pela camada de ozônio.
Esta camada filtra a radiação ultravioleta e é fundamental para a manutenção dos seres vivos na Terra.
Logo a seguir, aparece a mesosfera, cujo topo se localiza a 80 km do solo. A temperatura volta a diminuir com a altitude, atingindo -100 ºC.
Na termosfera, camada após a mesosfera, ocorre absorção de radiação solar de ondas curtas. A temperatura volta a aumentar, podendo atingir 1500 ºC.
Encontramos, ainda nessa camada, uma região chamada de ionosfera que apresenta uma concentração de partículas carregadas (íons).
A ionosfera influência as transmissões de rádio e é a responsável pelo fenômeno da aurora boreal.
Por fim, a exosfera, onde a atmosfera vai se tornando vácuo cósmico.
Camadas da atmosfera
Perfil da atmosfera, mostrando as variações de temperatura, pressão e densidade em função da altitude.

Composição da Atmosfera

A atmosfera terrestre é composta basicamente de nitrogênio, oxigênio, argônio, gás carbônico e pequena quantidade de outros gases. Apresenta ainda, uma quantidade variável de vapor de água.
O nitrogênio é o gás mais abundante da atmosfera, representando cerca de 78% do seu volume. É um gás inerte, ou seja, não há aproveitamento pelas células do nosso corpo.
O ar que respiramos possui cerca de 20% de oxigênio, que é o gás essencial para os seres vivos.
O dióxido de carbono (CO2) é essencial para a fotossíntese. Além disso é um eficiente absorvedor de energia de onda longa, o que faz com que as camadas mais baixas da atmosfera retenham calor.
O vapor de água é um dos gases que apresenta quantidade mais variada na atmosfera. Podendo representar, em algumas regiões, 4% do seu volume. Ele é fundamental para a distribuição de água no planeta, pois na sua ausência não há nuvens, chuva ou neve.
Composição da atmosfera
Composição da atmosfera considerando o ar seco, ou seja sem vapor de água.

Atmosfera Primitiva

Pela comparação da atmosfera de outros planetas, acredita-se que a atmosfera primitiva terrestre era composta por hidrogênio, metano, amônia e vapor de água.
Esses gases teriam sofrido reações químicas, pela ação da radiação solar e de descargas elétricas. Originando, de forma gradual, a composição atual da atmosfera.

Circulação Geral da Atmosfera

Em virtude do formato da Terra, existe diferenças no aquecimento da atmosfera terrestre.
Para equilibrar esse aquecimento desigual, verificamos a ocorrência de células de circulação de ar, do Equador para os polos e dos polos para o Equador.
De forma simplificada, podemos representar a circulação geral da atmosfera por três células em cada hemisfério.
Circulação da atmosfera
Representação simplificada da circulação geral da atmosfera.

Poluição do Ar

Considera-se poluição do ar, toda adição de partículas, compostos gasosos e formas de energia (calor, radiação ou ruído) que não estão presentes normalmente na atmosfera.
A poluição do ar pode ser resultado de processos naturais ou produzidos pelo homem.
Por processos naturais podemos citar:
  • Erupções vulcânicas
  • Tempestades de areia
  • Incêndios florestais
  • Pólen
  • Esporos de fungos
  • Poeira cósmica
São exemplo de fontes de poluição humana:
  • Veículos automotores
  • Atividades industriais
  • Centrais térmicas
  • Refinarias de petróleo
  • Agricultura
  • Queimadas

Consequências da poluição atmosférica

A poluição atmosférica causa impactos negativos na saúde humana, no clima e no meio ambiente.
Um dos efeitos do excesso de gases emitidos pelo homem para a atmosfera é a intensificação do efeito estufa e o consequente aquecimento global.
O efeito estufa é um fenômeno natural e essencial para os seres vivos. Ele evita que a Terra perca calor demais, gerando variações bruscas de temperatura.
Com o aumento da emissão de gases do efeito estufa, em decorrência das atividades humanas, verifica-se um aumento da temperatura global.
Uma outra consequência da poluição é a chuva ácida, que atinge diversas regiões do planeta. Os gases e partículas formadores da chuva ácida podem ser transportados por quilômetros de distância da fonte emissora.

Como a Atmosfera protege a Terra?

A atmosfera impede que grande parte dos meteoros que se aproximam da Terra cheguem em sua superfície. Muitos queimam com o atrito e o calor da atmosfera.
A radiação ultravioleta é filtrada na camada de ozônio. Essa radiação é extremamente nociva para os seres vivos.
Além disso, a atmosfera ainda regula a quantidade de radiação que chega e que é perdida pela superfície terrestre. Isso evita que o planeta apresente uma variação muito grande de temperatura.
Fonte: https://www.todamateria.com.br/o-que-e-atmosfera/


Ciclo do Oxigênio


O ciclo do oxigênio garante a ciclagem desse elemento no ambiente, permitindo, desse modo, que sejam realizados processos como respiração e combustão.


                               O ciclo do oxigênio apresenta relação direta com o ciclo do carbono. 
                                          O ciclo do oxigênio apresenta relação direta com o ciclo do carbono.



O ciclo do oxigênio é um ciclo biogeoquímico que garante que o oxigênio circule pelo meio físico, seja utilizado pelos seres vivos e, posteriormente, retorne ao meio. Esse elemento é de extrema importância para os seres vivos, sendo fundamental, por exemplo, para a realização da respiração celular, processo realizado por vários organismos, responsável pela oxidação de moléculas e produção de energia.

→ Resumo do ciclo do oxigênio

O ciclo do oxigênio é um ciclo biogeoquímico que garante a movimentação do oxigênio pelos organismos vivos e pelo meio ambiente. Esse ciclo permite que o elemento circule constantemente pelo meio, garantindo, desse modo, a realização de importantes processos, como respiração celular, formação da camada de ozônio e combustão.
O ciclo do oxigênio, relacionado diretamente com o ciclo do carbono, tem como uma de suas etapas o processo de fotossíntese. Nesse processo, os organismos fotossintetizantes utilizam gás carbônico e liberam oxigênio. Esse processo é, portanto, responsável por garantir que o oxigênio seja produzido e liberado para o meio. O oxigênio disponível poderá, então, ser utilizado em diferentes processos, como a respiração celular.

→ Ciclo do oxigênio

O oxigênio é um importante elemento encontrado em três reservatórios do planeta: atmosfera, biosfera e litosfera. Na atmosfera, destaca-se a presença do oxigênio molecular (O2), que representa 21% da atmosfera terrestre e é utilizado por alguns seres vivos na realização da respiração celular. Além de aparecer como oxigênio molecular, esse elemento aparece na atmosfera em forma de outros compostos, como gás carbônico (CO2), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2).
21% da atmosfera é formada por oxigênio molecular (O2).

21% da atmosfera é formada por oxigênio molecular (O2).


O oxigênio molecular é liberado na atmosfera graças ao processo de fotossíntese, o principal evento desse ciclo. Na fotossíntese, os organismos fotossintetizantes (algas, plantas e alguns procariotos) utilizam gás carbônico para sintetizar seu próprio alimento e, durante o processo, liberam oxigênio para o meio.

→ Etapas do ciclo do oxigênio

O ciclo do oxigênio apresenta diversas etapas importantes, como fotossíntese, respiração celular, decomposição, combustão e formação da camada de ozônio. Na fotossíntese, temos a formação do oxigênio, que será liberado na atmosfera. Esse é, portanto, uma das etapas que merecem maior destaque.
Na fotossíntese, os organismos fotossintetizantes (algas, plantas e alguns procariotos) fazem uso do gás carbônico para a produção de moléculas orgânicas. Durante esse processo, que necessita da presença de luz, esses organismos liberam oxigênio. Entre os organismos fotossintetizantes, destaca-se o fitoplâncton (grupo de organismos microscópicos fotossintetizantes que vivem flutuando na água doce), responsável pela produção de cerca de 95% do oxigênio presente na atmosfera terrestre.

A fotossíntese garante a liberação de oxigênio, que será utilizado por meio da respiração.

A fotossíntese garante a liberação de oxigênio, que será utilizado por meio da respiração.


O oxigênio liberado pelos organismos fotossintetizantes será utilizado em diferentes processos. Um desses processos é a respiração celular, realizada por grande parte dos organismos vivos. Nesse processo, utiliza-se oxigênio na produção de energia e libera-se gás carbônico. Além do gás carbônico, são liberadas moléculas de água, que possuem oxigênio na composição. Portanto, o oxigênio utilizado na respiração retorna ao ambiente nas formas de gás carbônico e água.
O oxigênio produzido pelos organismos fotossintetizantes é utilizado também nos processos de decomposição e de combustão. Ao final desses processos, são liberados gás carbônico e água.

O oxigênio participa ainda da formação da camada de ozônio, que funciona como uma espécie de filtro, diminuindo a incidência de radiação ultravioleta que chega até a superfície terrestre. O oxigênio atua nessa participação quando sofre a ação dos raios ultravioletas do Sol na atmosfera, dando origem ao ozônio, que irá formar a camada de ozônio.
A camada de ozônio já sofreu intensamente com a ação do homem, que liberava uma grande quantidade de substâncias que reagiam com as moléculas de ozônio, destruindo-as. As principais substâncias causadoras desse problema são os gases clorofluorcarbonos (CFCs), que eram usados, no passado, em alguns produtos, como sprays e refrigeradores.
Os danos causados à camada de ozônio foram descobertos em 1985, quando foi observada uma grande redução da quantidade de ozônio sobre a Antártica (buraco na camada de ozônio). Atualmente, estudos demonstram que, graças à proibição do uso dos CFCs, a camada de ozônio está recuperando-se dos danos passados. Infelizmente, a recuperação total desses danos pode demorar até seis décadas.

→ Importância do ciclo do oxigênio

O oxigênio produzido na fotossíntese é utilizado pela célula na produção de energia.

O oxigênio produzido na fotossíntese é utilizado pela célula na produção de energia.
O ciclo do oxigênio é, sem dúvida, um ciclo essencial para a sobrevivência dos organismos no nosso planeta, uma vez que esse elemento é utilizado em diferentes processos. Além de proporcionar a ciclagem do oxigênio no meio, o ciclo do oxigênio é importante porque garante a:
  • Realização da respiração celular, processo por meio do qual muitos seres vivos produzem energia.
  • Realização da combustão.
  • Realização do processo de decomposição da matéria orgânica.
  • Formação da camada de ozônio.

→ Exercício sobre o ciclo do oxigênio


Sabemos que o ciclo do oxigênio e o ciclo do carbono estão intimamente relacionados. Desse modo, é muito comum a abordagem conjunta desses ciclos em provas. Veja a seguir uma questão que aborda esse tema:
Exercício 1 - (UFG GO) Os ciclos biogeoquímicos ocorrem no planeta e envolvem processos orgânicos e inorgânicos. Entre esses ciclos, podem ser citados o do carbono e o do oxigênio. Os processos químicos comuns a esses dois ciclos são:
a) carbonatação e evaporação.
b) respiração e nitrificação.
c) fotossíntese e evaporação.
d) respiração e fotossíntese.
e) fotossíntese e desnitrificação.

RESOLUÇÃO

Resposta correta: Letra D
Na respiração, os organismos utilizam oxigênio e liberam gás carbônico, o qual é utilizado pelos organismos fotossintetizantes no processo de fotossíntese. Nesse processo, observa-se a liberação de oxigênio. A respiração e a fotossíntese são, portanto, dois processos conectados, assim como os ciclos do carbono e do oxigênio.

Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/ciclo-oxigenio.htm



As Causas das Grandes Extinções

A extinção dos seres vivos

Cambriano: a “grande explosão” da vida.

            Por várias vezes, os seres vivos do nosso planeta estiveram expostos ao perigo da extinção, mas conseguiram escapar e sobreviveram até os nossos dias.
            Na história da Terra, iniciada há 4,6 bilhões de anos, a origem da vida ocorreu há cerca de 3,8 bilhões de anos. As primeiras formas de vida eram representadas por seres com células primitivas, ainda desprovidas de núcleo celular. Em seguida surgiram as algas verdes primitivas, ainda e os seres compostos por células com núcleos, e finalmente, há 1 bilhão de anos, apareceram nos oceanos os seres multicelulares. Os animais das primeiras fases, a partir de cerca de 700 milhões de anos, estão representados na “Fauna de Ediacara”, composta de seres com forma de medusa e de anêmona do mar. Os 3 bilhões de anos subseqüentes à origem da vida, em termos de evolução orgânica, correspondem à “fase de aquecimento” e estão incluídos no Pré-Cambriano.

            A Fauna de Ediacara era um grupo de fósseis de animais marinhos do fim do Pré-cambriano descoberto em 1947, nas colinas de Ediacara, sul da Austrália, a 450 km a oeste de Adelaide. O conteúdo fossilífero, tal como no “folhelho de Burgess”, distingue-se nitidamente dos fósseis mais comuns do Cambriano. Entre os fósseis, há Sprigia (medusa), Dickinsonia (semelhante a medusa), etc. bem preservados, apesar da idade muito antiga. Fósseis semelhantes aos de Ediacara ocorrem também na África do Sul e na Inglaterra.

            Com a chegada do Período Cambriano, há 550 milhões de anos, ocorre um evento muito importante na evolução da vida; algumas dezenas de espécies existentes até então são repentinamente acrescidas por mais de 10 mil espécies de novos seres vivos. Esse evento é conhecido como a “grande explosão” na evolução orgânica dos seres vivos.
            As formas primitivas de seres vivos com carapaça hoje existentes tiveram sua origem no Cambriano, juntamente com os primeiros animais carnívoros da “Fauna de Burgess”. Entre estes, encontra-se o Anomalocaris, um animal carnívoro parecido com um camarão gigante, com corpo de 50 a 60 cm de comprimento, que dominava os oceanos. Desse modo, o tranqüilo paraíso da Fauna de Ediacara havia se transformado num mundo em que vigorava a lei do mais forte.

            A Fauna de Burgess está contida em folhelho (rocha pelítica) de cor escura do Sistema Cambriano Médio das montanhas Rochosas, no Canadá. A flora em encosta, a 2.600m de altitude, em local de acesso difícil; isso explica por que só foi adequadamente estudada em 1966, embora tenha sido descoberta em 1910.
            Diferentemente das associações faunísticas do Cambriano, onde predominam trilobitas e braquiópodes, esse folhelho contém mais de cem espécies de trilobitas, crustáceos, esponjas, celenterados, anelídeos, etc. Aparentemente, o paleoambiente era de laguna com circulação restrita, imprópria à vida da maioria das bactérias.


            Várias hipóteses tentam explicar por que nessa época ocorreu tão espetacular evolução orgânica dos seres vivos, mas não se conhece exatamente a verdadeira causa. Entretanto um fato bastante interessante é que, há 570 milhões de anos, teria ocorrido fragmentação do supercontinente Gondwana. A “grande explosão” orgânica do Cambriano teria ocorrido “logo depois” – 20 milhões de anos após.
            Talvez tenha ocorrido uma repentina reativação de uma superpluma, que causou movimentos crustais com conseqüentes perturbações no ecossistema. Esses eventos podem ter propiciado o surgimento de grande quantidade de novos seres vivos.
            Há 510 milhões de anos teria havido a primeira crise para os seres vivos do Cambriano. As trilobitas, que até então se mantinham no papel de alimento para a “Fauna de Burgess”, iniciaram repentina evolução, assumindo várias formas. Esse fato provocou um sério problema de falta de alimento para a Fauna de Burgess, levando à extinção de muito animais marinhos.
            Alguns cientistas defendem uma hipóteses contraditória à falta de comida: por alguma razão, teria ocorrido um empobrecimento de oxigênio na água do mar e essa pode ser a causa das extinções. Entretanto, na época, o oxigênio era abundante por toda a Terra, de modo que o eventual incidente de anoxia poderia ter uma influência apenas local. Portanto as causas ainda não estão esclarecidas. Parece muito convincente a idéia de que as trilobitas teriam evoluído para não ser devoradas pelos animais carnívoros. Seja como for, o Anomalocaris, que dominava os mares cambrianos, acabou sendo extinto. Mesmo para um “rei”, a extinção é condição definitiva, sem retorno. Seria essa uma “lei da evolução”?

A maior tragédia da história da Terra

            A segunda crise ocorreu há 440 milhões de anos. A superfície terrestre foi recoberta por grandes geleiras, que levaram à extinção de 22% dos seres vivos marinhos. Há 370 milhões de anos, no Período Devoniano, ocorreu novo resfriamento global, com a morte de várias espécies de coral e de peixes ostracodermes (providos de placa óssea; viveram no Siluriano Superior e Devoniano Inferior, em águas continentais rasas), extinguindo-se 21% dos seres vivos marinhos.
            Uma das maiores crises enfrentadas pelos seres vivos da Terra ocorreu no fim do Paleozóico, há 250 milhões de anos. A começar pelas trilobitas, cerca de 90% dos seres vivos marinhos desapareceram. Esse fato tem sido relacionado à falta de comida, à glaciação e ao vulcanismo. Todas essas possíveis causas, entretanto, não conseguem explicar adequadamente o fenômeno. É possível que esteja mais ligado à fragmentação da Pangéia.
            De maneira semelhante à fragmentação do Gondwana, pode-se supor que a fragmentação do supercontinente Pangéia também tenha produzido profundas modificações nos ecossistemas. A dinamização da crosta terrestre pela ação de superplumas pode ter ativado também o vulcanismo. A atmosfera teria, então, enriquecido em dióxido de carbono e o efeito estufa subseqüente deve ter produzido mudanças paleoclimáticas. Pode-se pensar que muitos daqueles seres vivos não tenham conseguido se adaptar a essas bruscas variações paleoambientais. Quando se fala em extinção de seres vivos, geralmente nos lembramos da extinção dos dinossauros, que foi bem menos espetacular quando comparada à do fim do Paleozóico.
            O mundo natural, entretanto, é muito difícil de ser apropriadamente decifrado. Apesar da trágica extinção – sem precedentes na história do planeta Terra – que atingiu a fauna paleozóica, as faunas marinhas mesozóicas e cenozóica tornaram-se mais prosperas e mais numerosas. Os seres vivos marinhos passaram por diversificações e reorganizações explosivas. Esse fato tem sido designado por alguns pesquisadores como “revolução marinha mesozóica”. A diversificação da atual vida terrestre parece ter sido propiciada justamente pela grande tragédia que atingiu a fauna paleozóica.
            Há 210 milhões de anos, logo após o inicio da Era Mesozóica, ocorreu uma “quase-extinção” dos répteis do Período Triássico. Um pouco mais tarde, houve a eliminação parcial de moluscos (bivalves e cefalópodes) e alguns peixes (Agnatha) e conodontes nos oceanos. Aponta-se como causa dessas extinções a desertificação em escala mundial que ocorreu naquela época. Logo após a fragmentação da Pangéia, a maior parte dos continentes encontra-se nas proximidades do Equador. Examinando os depósitos sedimentares continentais do Triássico, verifica-se ampla distribuição de sedimentos avermelhados, bastante comuns em desertos quentes, as chamadas “camadas vermelhas” (red beds).
            A desertificação e a aridificação afetaram os animais terrestres e muitos animais marinhos paleozóicos, mas a fauna marinha mesozóica permaneceu ilesa. Essas modificações paleoambientais não foram capazes de interromper o desenvolvimento exuberante dos seres vivos pós-mesozóicos.

A extinção dos dinossauros

            As poucas espécies sobreviventes de répteis continuaram sua evolução. Entretanto o “superastro” representado pelo dinossauro desapareceu há 65 milhões de anos, no fim do Período Cretáceo.
            Quando se pensa na provável causa de desaparecimento dos dinossauros, uma das hipóteses mais aceitas é a da mudança paleoclimática pelo impacto de um gigantesco meteorito na Península de Iucatã, no México. Essa cratera essa circundada por mais outros dois anéis, de 240 e 300km de diâmetro. Isso só poderia ser causado por um enorme asteróide, e cientistas descobriram, com incrível precisão, a idade da cratera: 64,98 milhões de anos atrás. O asteróide chocou-se a 72.000km/h. A força de impacto foi de mais de 10.000 megatons, equivalente a 1 milhão de bombas de Hiroshima, e as áres a menos de 1000km do local de impacto foram atingidas por ondas de até 1km de altura. O choque levantou 1,5 quatrilhão de poeira, vapor d'água e ácido sulfúrico. A nuvem encobriu toda a Terra, e impediu a passagem de luz do Sol por dois anos.O “inverno de impacto” seria comparável ao hipotético “inverno nuclear” do astrônomo norte-americano Carl Sagan.O impacto do meteorito, do mesmo modo que uma hipotética guerra atômica entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, colocaria em suspensão na atmosfera tal quantidade de poeira, que diminuiria em muito a incidência dos raios solares. Isso baixaria a temperatura superficial do planeta em algumas dezenas de graus.
            Na região costeira da Península de Iucatã, onde hipoteticamente teria ocorrido o impacto do meteorito, realizaram-se muitas perfurações submarinas profundas, em 1985, patrocinadas pelo projeto internacional ODP. Vários métodos foram empregados na tentativa de se determinar a causa de extinção dos dinossauros. Embora tenham sido constatadas mudanças paleoclimáticas repentinas, como de aquecimento global atribuível a fluidos do efeito estufa, a causa direta do desaparecimento ainda não foi esclarecida.
            Outros pesquisadores atribuem a extinção dos dinossauros a mudanças paleoclimáticas provocadas por atividades vulcânicas no Platô de Deccan, na Índia. Porém essa idéia se mostra pouco convincente, uma vez que o platô é constituído de lava vulcânica fluida e pouco explosiva. É difícil, portanto, imaginar que seus efeitos pudessem ter alcance mundial. Uma outra teoria tem chamado mais a atenção de pesquisadores: é a que tenta explicar o desaparecimento daqueles animais por mudanças no ecossistema vegetal, com evolução das gimnospermas para angiospermas. Os dinossauros herbívoros, que se alimentavam principalmente de gimnospermas, teria ficado sem comida. A retirada de cena dos dinossauros, que lideravam os répteis, cena lugar aos mamíferos na Era Cenozóica.
Robert T. Bakker, um dos mais renomados paleontólogos de todos os tempos lançou a hipótese de que a causa da extinção dos dinossauros foi comportamento. Suas palavras foram mais ou menos essas:
"Há 65 milhões de anos os dinossauros foram extintos por causa de um meteoro, certo? Eu acho que não. Se um meteoro cai, impede a passagem de luz do sol, muda a temperatura global e e inunda várias áreas, quem teria mais chances de desaparecer: o dinossauro ou a tartaruga tropical?
Naquela época todos os dinossauros foram extintos, mas a tartaruga tropical não. E não existe nada mais sensível do que uma tartaruga tropical. Qualquer mudança climática repentina, qualquer mudança na temperatura da água a levaria a morte. Agora imagine toda a destruição causada pelo meteoro, e imagine, depois de todos aqueles dinossauros mortos, a tartaruga nadando calmamente. Impossível.
Então, você se pergunta, o que causou a grande extinção? Bem, a minha idéia é de que a causa foi comportamento. Os dinossauros dominaram a terra por mais de 160 milhões de anos. Resistiram a outras duas grandes extinções: a do final do Triássico, e a do final do Jurássico. Se adaptaram, se reproduziram e passaram a ser encontrados em todos os locais do mundo, até na Antártida. Eram seres complexos, e de comportamentos complexos. Acho que eles chegaram a um ponto, após se adaptarem tão bem ao ambiente, que não precisavam mais se adaptar. E isso causou um desequilíbrio, levando-os a morte."
            Desse modo, observando a história das grandes extinções, podemos considerar, como algumas de suas principais causas, os eventos de resfriamento global da Terra. Esses eventos poderiam ser originados pela dinâmica crustal ligada à fragmentação de supercontinentes e por “invernos de impacto” de grandes meteoritos. As condições de anoxia, que são favoráveis à geração do petróleo e gases naturais, não teriam influído de  modo decisivo na extinção dos seres vivos. De fato, parece que os seres vivos extinguiram-se por mudanças paleoambientais maiores que a capacidade de adaptação desses organismos.
            Entretanto a extinção dos grandes mamíferos, que ocorreu entre 10 mil a 20 mil anos atrás, parece seguir um padrão diferente das demais. Entre esses mamíferos havia desde animais do tamanho de um lobo até animais bem maiores, como o bicho-preguiça gigante (Megatherium americanum), o tigre dente-de-sabre e o mamute. O desaparecimento desses animais parece ter sido causado pelo ser humano, que ignorou as leis da natureza, caçando-os até o seu completo extermínio. Recentemente, as baleias, que são os maiores animais vivos, foram colocadas em situação de perigo pela intensa caça predatória.
Todos os seres vivos estão à mercê da extinção, incluindo os seres humanos. Entender a extinção dos dinossauros é uma forma também de prever qual será nosso futuro e se teremos condições de reverter uma possível ameaça de aniquilação.


Referência Bibliográfica

  1. Suguio K., Suzuki U. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. Ed. Afiliada, 1ª Ed., São Paulo, 2003.

  1. BARRETT, Paul et al. Dinossauros. São Paulo, Martins Fontes, 2002.
  2. DORLING KINDERSLEY PUBLISHING. Dinossauros: Guia interativo do mundo dos dinossauros. Rio de Janeiro, GLOBO, 1998.
  3. GEWANDSZNAJDER,  Fernando. Dinossauros. 5. ed. São Paulo, Ática, 1999.

  1. DESALLE, B. & LINDLEY, D. Jurassik Park e o mundo perdido, ou como fazer um dinossauro. Rio de Janeiro, Campus, 1998.
  2. KELLNER, A.W.A., SCHWANKE, C., CAMPOS, D.A. O Brasil no tempo dos dinossauros. Rio de Janeiro, Museu Nacional, 1999.  

  1. PRÉ-HISTÓRIA. São Paulo, Ática, 1996. (Série Atlas Visuais)

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