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Como dá para saber por um fóssil se um dinossauro era carnívoro ou herbívoro?

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Basta analisar a boca do bichão. “A melhor interpretação da dieta de um dinossauro é dada pelos dentes”, afirma o paleontólogo Reinaldo Bertini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro (SP). Só os dentes dos carnívoros, por exemplo, precisavam ser serrilhados, permitindo que eles rasgassem a carne de suas presas. Outra pista importante é o ritmo de troca da dentição. Os carnívoros gastavam menos a arcada e, por isso, os fósseis raramente apresentam sinais de novos dentes. Já os dos herbívoros eram trocados mais vezes pois sofriam um maior desgaste – pela maceração repetitiva das plantas dentro da boca. A maior parte dos dinossauros que habitavam a Terra até o fim do período Cretáceo, 65 milhões de anos atrás, tinha uma dieta vegetariana – a proporção era de nove herbívoros para cada carnívoro. Havia ainda uma terceira categoria, a dos onívoros, que, como o homem, comiam tanto carne quanto vegetais. Mas esses eram ainda mais raros. A preferência alimentar estava diretamente relacionada ao comportamento do animal e sua capacidade de locomoção. Os carnívoros eram mais ágeis, uma vez que, para conseguir comida, precisavam atacar rápido. Mas o terrível tiranossauro, apesar da fama de mau, era necrófago, ou seja, se alimentava principalmente de bichos que já estavam mortos. Esse comedor de carniça pré-histórico tinha dentes que podiam chegar a 20 centímetros, os maiores entre os carnívoros. Os grandalhões herbívoros, por sua vez, eram mais dóceis e lentos. Sua lerdeza, claro, transformava-os em presas fáceis para os devoradores de carne.

Sorria!
É pelos dentes que especialistas identificam qual era a dieta desses animais
HERBÍVORO – Socador de grama
Os dentes dos dinos herbívoros eram não só diferentes dos carnívoros mas também entre si. Os saurópodos, por exemplo, tinham uma arcada que parecia um pilão para esmagar vegetais na boca. Outras espécies, porém, possuíam dentes finos, num formato de pá, para puxar galhos de árvores ou arbustos
CARNÍVORO – Dentada mortífera
Dinossauros carnívoros, como esse velociraptor, precisavam de dentes pontudos, que penetravam com facilidade na carne de suas vítimas. O formato curvo ajudava a segurar a presa e os dentes ainda tinham superfícies serrilhadas para rasgar o futuro banquete.

Mandíbula escancarada

Os 11 Maiores Dinossauros Já Encontrados no Brasil

Organizados do menor para o maior, um breve dicionário dos gigantes nacionais.

Há 250 milhões de anos, quando começou o período Triássico e surgiram os primeiros dinossauros, a massa de terra que hoje é chamada pelo ser humano de Brasil não se assemelhava em nada ao nosso país. Para começo de conversa, o litoral atlântico, hoje recortado em um desenho tão característico, não existia: ele estava colado na África (na qual até hoje a América do Sul se encaixa feito uma peça de quebra-cabeça).
O tempo passou, as placas tectônicas fizeram sua dança, os continentes deslizaram para suas posições atuais e alguns dinos inevitavelmente se fossilizaram em nosso território. Alguns foram descobertos aqui mesmo. Outros foram descobertos primeiro em países vizinhos – e só depois encontrados aqui.
De acordo com O guia completo dos dinossauros do Brasil, de Luiz Eduardo Anelli, 23 espécies de dinos foram identificadas no Brasil (edição de 2015). O Atlas Virtual da Pré-História (AVPH), mais atualizado, fala em 25. O número é incerto, pois sempre há dinossauros em processo de identificação, e diferentes critérios podem ser usados para inclui-los ou não na lista.
Alguns poucos ossos preservados são suficientes para os paleontólogos reconstituírem o porte e a aparência desses bichos, que viveram por aqui predominantemente entre 120 milhões e 65 milhões de anos atrás.

Rayosossaurus sp.

Comprimento – 9 m
Altura – não pode ser estabelecida
Descoberto na Ilha do Cajual, Maranhão
Rayosossaurus é o nome de um gênero de dinossauros, cujo maior número de espécies foi encontrado na Argentina. Uma dessas espécies é o Rayosossaurus agrionensis. O Brasil, porém, também tem o seu, que viveu há 110 milhões de anos.
Os fósseis de Rayosossaurus encontrados por aqui eram tão fragmentados que não foi possível especificar a que espécie pertenciam – ou definir se, na verdade, eles pertenciam a uma espécie nova (semelhante, mas não idêntica, aos argentinos). É por que se emprega o termo “sp.” no nome científico.
Apenas 17, das mais de cem vértebras que provavelmente compunham a coluna do indivíduo escavado, foram encontradas. O nome Rayosossaurus faz referência ao local em que o primeiro exemplar argentino foi encontrado: uma formação geológica denominada Rayoso, ao sul de Mendoza.

Trigonosaurus pricei

Comprimento – 9,5 m
Altura – 4 m
Descoberto em Uberaba, Minas Gerais
O nome desse herbívoro deriva da palavra grega para triângulo: trigónos. É que a espécie foi descoberta em 1947 na região do Triângulo Mineiro, extremo oeste de Minas Gerais – especula-se que seu habitat se estenderia até a Bolívia. Os ossos usados para identificá-lo, que perteciam predominantemente à coluna vertebral, estão no Museu de Ciências da Terra, do Departamento Nacional de Produção Mineral, no Rio de Janeiro.

Amazonsaurus maranhensis


 (Luiz Fernando/Domínio Público)
Comprimento – 10 m
Altura – 3 m
Descoberto em Itapecuru-Mirim, no Maranhão
A espécie, com a altura aproximada de um elefante africano, viveu numa época em que as praias do Maranhão estavam a apenas algumas centenas de quilômetros da costa da África – atualmente, a distância é superior a 8 mil quilômetros.
A espécie foi descoberta em 2004 graças a cerca de 100 pequenos fragmentos fósseis, com idade aproximada de 110 milhões de anos. Tudo indica que a carcaça do dinossauro, logo após sua morte, foi levada por um rio que não existe mais – e acabou encalhando em uma planície próxima à foz, onde, ao longo de muito tempo, os ossos foram banhados pelas marés e recobertos por sedimentos. A umidade no sítio paleontológico dificultou o trabalho de escavação e reconstituição do esqueleto.
Ele é importante por ter sido o primeiro representante brasileiro da família Diplodocoidea, que continha dinossauros de pescoço e cauda muito longos.

Baurutitan britoi

Comprimento – 12 m
Altura – 3,5 m
Descoberto em Uberaba, Minas Gerais
É um dos primeiros dinossauros catalogados no Brasil, em 1957. Não se engane: o nome da espécie não tem nada a ver com a cidade paulista de Bauru. Trata-se de uma referência à região da bacia sedimentar Bauru, que se estende do Paraná até Minas Gerais – e que preservou uma quantidade notável de fósseis de animais pré-históricos (incluindo o Trigonossauro, de que já falamos nos parágrafos anteriores).
Ele viveu há cerca de 70 milhões de anos – no fim do Cretáceo, logo antes da queda do famoso meteoro de Yucatán. A espécie foi reconstituída pelos paleontólogos com base em apenas 18 vértebras articuladas da região da cauda.

Adamantisaurus mezzalirai

Comprimento – 12 m
Altura – 4 m
Descoberto em Flórida Paulista, São Paulo.
Assim como no caso do baurutitan, seus únicos ossos conhecidos são da cauda: mais precisamente, seis vértebras coletadas em 1959 pelo geólogo Sérgio Mezzalira (seu nome científico, Adamantissaurus mezzalirai, homenageia o descobridor).
A nova espécie de dinossauro, porém, só foi identificada em 2006 – 47 anos depois da descoberta –, graças a dois paleontólogos da Unesp que estudaram os fósseis, encontrados por operários de uma ferrovia paulista. Eles estavam armazenados em um pequeno museu no Parque da Água Branca, em São Paulo.
O grandão viveu a 70 milhões de anos, e é possível que sua espécie tenha sido diretamente afetada pela queda do meteoro que pôs fim ao período Cretáceo, há 65 milhões de anos.

Tapuiasaurus macedoi


 (Nobu Tamura/CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons)
Comprimento – 13 m
Altura – 4 m
Descoberto em Coração de Jesus, Minas Gerais
Esse é um dos caçulas da lista: teve o primeiro osso encontrado em 2004, por acaso, numa fazenda mineira. A partir daí, pesquisadores encontraram dezenas de fósseis, incluindo um dos crânios mais completos do mundo. O nome, oficializado em 2011, remete a “tapuia”, termo genérico que costumava ser usado para se referir aos índios que não falavam tupi e viviam no interior do país.

Maxakalisaurus topai

 (Kabacchi/CC BY 2.0/Wikimedia Commons)
Comprimento – 13 m
Altura – 4 m
Descoberto em Prata, Minas Gerais
Seu nome homenageia os índios da etnia Maxacali, que habitavam a região em que foi encontrado, e o Deus que eles adoravam: Topa. A exploração do sítio arqueológico em que ele estava – um dos vários localizados na já citada bacia sedimentar de Bauru – rendeu 6 toneladas de ossos entre 1998 e 2002. Uma réplica completa do esqueleto do bicho, com ossos feitos de resina, estava exposta no Museu Nacional da UFRJ, e foi destruída pelo incêndio no último domingo (2).
O exemplar encontrado pertencia a um animal jovem, que morreu há 80 milhões de anos. Os ossos tinham marcas de dentes e estavam espalhados pelo sítio arqueológico – sinal de que ele foi morto por predadores para virar almoço, e o que restou de sua carcaça foi pisoteado por manadas.

Gondwanatitan faustoi

Comprimento – entre 8 m e 15 m
Altura – 2,5 m
Descoberto em Álvares Machado, São Paulo
Na época em que essa espécie viveu, havia só dois grandes continentes na Terra. Um deles era Gondwana, cujas terras atualmente representam América do Sul, África, Antártida, Austrália, península Arábica e Índia. Isso contribuiu para que os herbívoros do clado Titanosauria (classificação que engloba a maior parte dos dinossauros desta lista) se espalhassem por todos os continentes – só na Antártida ainda não encontraram um.
O Gondwanatitan faustoi foi encontrado em 1983. Como muitos dos gigantes já citados, viveu há 80 milhões de anos, no final do Cretáceo.

Uberabatitan riberoi

 (Andre Borges Lopes/CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons)
Comprimento – entre 15 m e 19 m
Altura – 4 m
Descoberto em Uberaba, Minas Gerais
O nome do clado Titanosauria é inspirado nos titãs, gigantes da mitologia grega. E embora os dinossauros nacionais recém-descobertos estejam cada dia maiores, ainda é bom lembrar que titãs como o de Uberaba eram miúdos perto dos seus primos. Enquanto muitos titanossauros superavam os 40 m de comprimento, os brasileiros raramente ultrapassavam 15 m.
Isso não é pouco na escala humana, que fique bem claro: apesar de não ser dos maiores em relação a seus contemporâneos, o riberoi pesava 16 toneladas, três vezes mais que um elefante africano atual. Foram encontrados fósseis três indivíduos, escavados entre 2004 e 2006 – 300 toneladas de rocha foram removidas no processo.

Antarctosaurus brasiliensis

Comprimento – é possível que alcançasse 40 m
Altura – 6 m
Descoberto em São José do Rio Preto, São Paulo
Antarctosaurus significa “lagarto do sul”, e brasiliensis entrou no nome porque duas espécies parecidas já foram encontradas na Argentina – país com 110 espécies de dinossauros catalogadas desde 1887. Ele tinha a cabeça alongada, mas muito pequena, menor que a de um cavalo. Seus dentes eram todos iguais, sem molares que facilitassem a mastigação de vegetais, como os animais herbívoros de hoje.
Uma hipótese bastante provável é que, para triturar folhas suficientes para alimentar seu enorme corpo, os dinos dessa espécie comiam pedras! Depois de engolidos, os “aperitivos” se acomodavam no estômago e ajudavam a processar o rango.

Austroposeidon magnificus

Comprimento – 25 m
Altura – 6 m
Descoberto em Presidente Prudente, São Paulo
O maior dinossauro brasileiro já identificado foi apresentado à comunidade científica em 2016, neste artigo. Como os demais membros da lista, era um pescoçudo herbívoro extra grande. “A descoberta comprova que existiram grandes dinossauros no Brasil”, afirmou ao Terra, na época, o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional. “Já suspeitávamos disso por conta das descobertas na Argentina, mas agora comprovamos”.
Os ossos dele estavam estavam guardados desde a década de 1950 na reserva técnica do Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro, mas, por falta verba, só foram analisados mais de 60 anos depois.

Fonte: O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, Atlas Virtual da Pré-História (AVPH).

As Causas das Grandes Extinções

A extinção dos seres vivos

Cambriano: a “grande explosão” da vida.

            Por várias vezes, os seres vivos do nosso planeta estiveram expostos ao perigo da extinção, mas conseguiram escapar e sobreviveram até os nossos dias.
            Na história da Terra, iniciada há 4,6 bilhões de anos, a origem da vida ocorreu há cerca de 3,8 bilhões de anos. As primeiras formas de vida eram representadas por seres com células primitivas, ainda desprovidas de núcleo celular. Em seguida surgiram as algas verdes primitivas, ainda e os seres compostos por células com núcleos, e finalmente, há 1 bilhão de anos, apareceram nos oceanos os seres multicelulares. Os animais das primeiras fases, a partir de cerca de 700 milhões de anos, estão representados na “Fauna de Ediacara”, composta de seres com forma de medusa e de anêmona do mar. Os 3 bilhões de anos subseqüentes à origem da vida, em termos de evolução orgânica, correspondem à “fase de aquecimento” e estão incluídos no Pré-Cambriano.

            A Fauna de Ediacara era um grupo de fósseis de animais marinhos do fim do Pré-cambriano descoberto em 1947, nas colinas de Ediacara, sul da Austrália, a 450 km a oeste de Adelaide. O conteúdo fossilífero, tal como no “folhelho de Burgess”, distingue-se nitidamente dos fósseis mais comuns do Cambriano. Entre os fósseis, há Sprigia (medusa), Dickinsonia (semelhante a medusa), etc. bem preservados, apesar da idade muito antiga. Fósseis semelhantes aos de Ediacara ocorrem também na África do Sul e na Inglaterra.

            Com a chegada do Período Cambriano, há 550 milhões de anos, ocorre um evento muito importante na evolução da vida; algumas dezenas de espécies existentes até então são repentinamente acrescidas por mais de 10 mil espécies de novos seres vivos. Esse evento é conhecido como a “grande explosão” na evolução orgânica dos seres vivos.
            As formas primitivas de seres vivos com carapaça hoje existentes tiveram sua origem no Cambriano, juntamente com os primeiros animais carnívoros da “Fauna de Burgess”. Entre estes, encontra-se o Anomalocaris, um animal carnívoro parecido com um camarão gigante, com corpo de 50 a 60 cm de comprimento, que dominava os oceanos. Desse modo, o tranqüilo paraíso da Fauna de Ediacara havia se transformado num mundo em que vigorava a lei do mais forte.

            A Fauna de Burgess está contida em folhelho (rocha pelítica) de cor escura do Sistema Cambriano Médio das montanhas Rochosas, no Canadá. A flora em encosta, a 2.600m de altitude, em local de acesso difícil; isso explica por que só foi adequadamente estudada em 1966, embora tenha sido descoberta em 1910.
            Diferentemente das associações faunísticas do Cambriano, onde predominam trilobitas e braquiópodes, esse folhelho contém mais de cem espécies de trilobitas, crustáceos, esponjas, celenterados, anelídeos, etc. Aparentemente, o paleoambiente era de laguna com circulação restrita, imprópria à vida da maioria das bactérias.


            Várias hipóteses tentam explicar por que nessa época ocorreu tão espetacular evolução orgânica dos seres vivos, mas não se conhece exatamente a verdadeira causa. Entretanto um fato bastante interessante é que, há 570 milhões de anos, teria ocorrido fragmentação do supercontinente Gondwana. A “grande explosão” orgânica do Cambriano teria ocorrido “logo depois” – 20 milhões de anos após.
            Talvez tenha ocorrido uma repentina reativação de uma superpluma, que causou movimentos crustais com conseqüentes perturbações no ecossistema. Esses eventos podem ter propiciado o surgimento de grande quantidade de novos seres vivos.
            Há 510 milhões de anos teria havido a primeira crise para os seres vivos do Cambriano. As trilobitas, que até então se mantinham no papel de alimento para a “Fauna de Burgess”, iniciaram repentina evolução, assumindo várias formas. Esse fato provocou um sério problema de falta de alimento para a Fauna de Burgess, levando à extinção de muito animais marinhos.
            Alguns cientistas defendem uma hipóteses contraditória à falta de comida: por alguma razão, teria ocorrido um empobrecimento de oxigênio na água do mar e essa pode ser a causa das extinções. Entretanto, na época, o oxigênio era abundante por toda a Terra, de modo que o eventual incidente de anoxia poderia ter uma influência apenas local. Portanto as causas ainda não estão esclarecidas. Parece muito convincente a idéia de que as trilobitas teriam evoluído para não ser devoradas pelos animais carnívoros. Seja como for, o Anomalocaris, que dominava os mares cambrianos, acabou sendo extinto. Mesmo para um “rei”, a extinção é condição definitiva, sem retorno. Seria essa uma “lei da evolução”?

A maior tragédia da história da Terra

            A segunda crise ocorreu há 440 milhões de anos. A superfície terrestre foi recoberta por grandes geleiras, que levaram à extinção de 22% dos seres vivos marinhos. Há 370 milhões de anos, no Período Devoniano, ocorreu novo resfriamento global, com a morte de várias espécies de coral e de peixes ostracodermes (providos de placa óssea; viveram no Siluriano Superior e Devoniano Inferior, em águas continentais rasas), extinguindo-se 21% dos seres vivos marinhos.
            Uma das maiores crises enfrentadas pelos seres vivos da Terra ocorreu no fim do Paleozóico, há 250 milhões de anos. A começar pelas trilobitas, cerca de 90% dos seres vivos marinhos desapareceram. Esse fato tem sido relacionado à falta de comida, à glaciação e ao vulcanismo. Todas essas possíveis causas, entretanto, não conseguem explicar adequadamente o fenômeno. É possível que esteja mais ligado à fragmentação da Pangéia.
            De maneira semelhante à fragmentação do Gondwana, pode-se supor que a fragmentação do supercontinente Pangéia também tenha produzido profundas modificações nos ecossistemas. A dinamização da crosta terrestre pela ação de superplumas pode ter ativado também o vulcanismo. A atmosfera teria, então, enriquecido em dióxido de carbono e o efeito estufa subseqüente deve ter produzido mudanças paleoclimáticas. Pode-se pensar que muitos daqueles seres vivos não tenham conseguido se adaptar a essas bruscas variações paleoambientais. Quando se fala em extinção de seres vivos, geralmente nos lembramos da extinção dos dinossauros, que foi bem menos espetacular quando comparada à do fim do Paleozóico.
            O mundo natural, entretanto, é muito difícil de ser apropriadamente decifrado. Apesar da trágica extinção – sem precedentes na história do planeta Terra – que atingiu a fauna paleozóica, as faunas marinhas mesozóicas e cenozóica tornaram-se mais prosperas e mais numerosas. Os seres vivos marinhos passaram por diversificações e reorganizações explosivas. Esse fato tem sido designado por alguns pesquisadores como “revolução marinha mesozóica”. A diversificação da atual vida terrestre parece ter sido propiciada justamente pela grande tragédia que atingiu a fauna paleozóica.
            Há 210 milhões de anos, logo após o inicio da Era Mesozóica, ocorreu uma “quase-extinção” dos répteis do Período Triássico. Um pouco mais tarde, houve a eliminação parcial de moluscos (bivalves e cefalópodes) e alguns peixes (Agnatha) e conodontes nos oceanos. Aponta-se como causa dessas extinções a desertificação em escala mundial que ocorreu naquela época. Logo após a fragmentação da Pangéia, a maior parte dos continentes encontra-se nas proximidades do Equador. Examinando os depósitos sedimentares continentais do Triássico, verifica-se ampla distribuição de sedimentos avermelhados, bastante comuns em desertos quentes, as chamadas “camadas vermelhas” (red beds).
            A desertificação e a aridificação afetaram os animais terrestres e muitos animais marinhos paleozóicos, mas a fauna marinha mesozóica permaneceu ilesa. Essas modificações paleoambientais não foram capazes de interromper o desenvolvimento exuberante dos seres vivos pós-mesozóicos.

A extinção dos dinossauros

            As poucas espécies sobreviventes de répteis continuaram sua evolução. Entretanto o “superastro” representado pelo dinossauro desapareceu há 65 milhões de anos, no fim do Período Cretáceo.
            Quando se pensa na provável causa de desaparecimento dos dinossauros, uma das hipóteses mais aceitas é a da mudança paleoclimática pelo impacto de um gigantesco meteorito na Península de Iucatã, no México. Essa cratera essa circundada por mais outros dois anéis, de 240 e 300km de diâmetro. Isso só poderia ser causado por um enorme asteróide, e cientistas descobriram, com incrível precisão, a idade da cratera: 64,98 milhões de anos atrás. O asteróide chocou-se a 72.000km/h. A força de impacto foi de mais de 10.000 megatons, equivalente a 1 milhão de bombas de Hiroshima, e as áres a menos de 1000km do local de impacto foram atingidas por ondas de até 1km de altura. O choque levantou 1,5 quatrilhão de poeira, vapor d'água e ácido sulfúrico. A nuvem encobriu toda a Terra, e impediu a passagem de luz do Sol por dois anos.O “inverno de impacto” seria comparável ao hipotético “inverno nuclear” do astrônomo norte-americano Carl Sagan.O impacto do meteorito, do mesmo modo que uma hipotética guerra atômica entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, colocaria em suspensão na atmosfera tal quantidade de poeira, que diminuiria em muito a incidência dos raios solares. Isso baixaria a temperatura superficial do planeta em algumas dezenas de graus.
            Na região costeira da Península de Iucatã, onde hipoteticamente teria ocorrido o impacto do meteorito, realizaram-se muitas perfurações submarinas profundas, em 1985, patrocinadas pelo projeto internacional ODP. Vários métodos foram empregados na tentativa de se determinar a causa de extinção dos dinossauros. Embora tenham sido constatadas mudanças paleoclimáticas repentinas, como de aquecimento global atribuível a fluidos do efeito estufa, a causa direta do desaparecimento ainda não foi esclarecida.
            Outros pesquisadores atribuem a extinção dos dinossauros a mudanças paleoclimáticas provocadas por atividades vulcânicas no Platô de Deccan, na Índia. Porém essa idéia se mostra pouco convincente, uma vez que o platô é constituído de lava vulcânica fluida e pouco explosiva. É difícil, portanto, imaginar que seus efeitos pudessem ter alcance mundial. Uma outra teoria tem chamado mais a atenção de pesquisadores: é a que tenta explicar o desaparecimento daqueles animais por mudanças no ecossistema vegetal, com evolução das gimnospermas para angiospermas. Os dinossauros herbívoros, que se alimentavam principalmente de gimnospermas, teria ficado sem comida. A retirada de cena dos dinossauros, que lideravam os répteis, cena lugar aos mamíferos na Era Cenozóica.
Robert T. Bakker, um dos mais renomados paleontólogos de todos os tempos lançou a hipótese de que a causa da extinção dos dinossauros foi comportamento. Suas palavras foram mais ou menos essas:
"Há 65 milhões de anos os dinossauros foram extintos por causa de um meteoro, certo? Eu acho que não. Se um meteoro cai, impede a passagem de luz do sol, muda a temperatura global e e inunda várias áreas, quem teria mais chances de desaparecer: o dinossauro ou a tartaruga tropical?
Naquela época todos os dinossauros foram extintos, mas a tartaruga tropical não. E não existe nada mais sensível do que uma tartaruga tropical. Qualquer mudança climática repentina, qualquer mudança na temperatura da água a levaria a morte. Agora imagine toda a destruição causada pelo meteoro, e imagine, depois de todos aqueles dinossauros mortos, a tartaruga nadando calmamente. Impossível.
Então, você se pergunta, o que causou a grande extinção? Bem, a minha idéia é de que a causa foi comportamento. Os dinossauros dominaram a terra por mais de 160 milhões de anos. Resistiram a outras duas grandes extinções: a do final do Triássico, e a do final do Jurássico. Se adaptaram, se reproduziram e passaram a ser encontrados em todos os locais do mundo, até na Antártida. Eram seres complexos, e de comportamentos complexos. Acho que eles chegaram a um ponto, após se adaptarem tão bem ao ambiente, que não precisavam mais se adaptar. E isso causou um desequilíbrio, levando-os a morte."
            Desse modo, observando a história das grandes extinções, podemos considerar, como algumas de suas principais causas, os eventos de resfriamento global da Terra. Esses eventos poderiam ser originados pela dinâmica crustal ligada à fragmentação de supercontinentes e por “invernos de impacto” de grandes meteoritos. As condições de anoxia, que são favoráveis à geração do petróleo e gases naturais, não teriam influído de  modo decisivo na extinção dos seres vivos. De fato, parece que os seres vivos extinguiram-se por mudanças paleoambientais maiores que a capacidade de adaptação desses organismos.
            Entretanto a extinção dos grandes mamíferos, que ocorreu entre 10 mil a 20 mil anos atrás, parece seguir um padrão diferente das demais. Entre esses mamíferos havia desde animais do tamanho de um lobo até animais bem maiores, como o bicho-preguiça gigante (Megatherium americanum), o tigre dente-de-sabre e o mamute. O desaparecimento desses animais parece ter sido causado pelo ser humano, que ignorou as leis da natureza, caçando-os até o seu completo extermínio. Recentemente, as baleias, que são os maiores animais vivos, foram colocadas em situação de perigo pela intensa caça predatória.
Todos os seres vivos estão à mercê da extinção, incluindo os seres humanos. Entender a extinção dos dinossauros é uma forma também de prever qual será nosso futuro e se teremos condições de reverter uma possível ameaça de aniquilação.


Referência Bibliográfica

  1. Suguio K., Suzuki U. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. Ed. Afiliada, 1ª Ed., São Paulo, 2003.

  1. BARRETT, Paul et al. Dinossauros. São Paulo, Martins Fontes, 2002.
  2. DORLING KINDERSLEY PUBLISHING. Dinossauros: Guia interativo do mundo dos dinossauros. Rio de Janeiro, GLOBO, 1998.
  3. GEWANDSZNAJDER,  Fernando. Dinossauros. 5. ed. São Paulo, Ática, 1999.

  1. DESALLE, B. & LINDLEY, D. Jurassik Park e o mundo perdido, ou como fazer um dinossauro. Rio de Janeiro, Campus, 1998.
  2. KELLNER, A.W.A., SCHWANKE, C., CAMPOS, D.A. O Brasil no tempo dos dinossauros. Rio de Janeiro, Museu Nacional, 1999.  

  1. PRÉ-HISTÓRIA. São Paulo, Ática, 1996. (Série Atlas Visuais)

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