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Ciclo do Nitrogênio

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nitrogênio é um elemento químico essencial para a existência de vida na Terra, já que é componente de todos os aminoácidos do nosso corpo, além das bases nitrogenadas (que constituem as moléculas de DNA e RNA). Aproximadamente 78% do ar que respiramos é composto pelo nitrogênio da atmosfera (N2), que é seu maior reservatório. Um dos motivos para isso é o N2 ser a forma inerte do nitrogênio, ou seja, ele é um gás que, em situações comuns, não é reativo. Assim, ele vem se acumulando na atmosfera desde a formação do planeta. Apesar disso, poucos seres vivos têm capacidade de absorvê-lo em sua forma molecular (N2). Acontece que o nitrogênio, assim como o ferro e o enxofre, participa de um ciclo natural ao longo do qual sua estrutura química sofre transformações em cada uma das etapas, servindo como base para outras reações e assim se tornando disponível para outros organismos - esta a grande importância do ciclo do nitrogênio (ou "ciclo do azoto").
Para que o N2 atmosférico atinja o solo, entrando no ecossistema, ele deve passar por um processo chamado fixação, que é realizado por pequenos grupos de bactérias nitrificantes, que retiram o nitrogênio na forma de N2 e o incorporam em suas moléculas orgânicas. Quando a fixação é realizada por organismos vivos, como as bactérias, ela é chamada de fixação biológica, ou biofixação. Atualmente, também pode-se fazer uso de fertilizantes comerciais para a fixação de nitrogênio, caracterizando a fixação industrial, método muito utilizado na agricultura. Além destas, há também a fixação física, que é realizada por raios e faíscas elétricas, através dos quais o nitrogênio é oxidado e carregado para o solo através das chuvas, mas tal método possui uma capacidade reduzida de fixação de nitrogênio, que não é suficiente para os organismos e a vida na Terra se manterem.
As bactérias, ao fixarem o N2, liberam amônia (NH3). A amônia, quando em contato com as moléculas de água do solo, formam o hidróxido de amônio que, ao ionizar-se, produz o amônio (NH4), em um processo que é parte do ciclo do nitrogênio e é denominado amonificação. Na natureza, há um equilíbrio entre amônia e amônio, que é regulado pelo pH. Em ambientes onde o pH é mais ácido, predomina a formação de NH4, e em ambientes mais básicos, o processo mais comum é o da formação de NH3. Este amônio tende a ser absorvido e utilizado principalmente pelas plantas que possuem bactérias associadas às suas raízes (bacteriorizas). Quando produzido por bactérias de vida livre, este amônio tende a ficar disponível no solo para ser utilizado por outras bactérias (as nitrobactérias).
As nitrobactérias são quimiossintetizantes, ou seja, são seres autotróficos (que produzem seu próprio alimento), que retiram a energia necessária para sua sobrevivência a partir de reações químicas. Para obter essa energia, elas tendem a oxidar o amônio, transformando-o em nitrito (NO2-), e posteriormente em nitrato (NO3-). Este processo do ciclo do nitrogênio é denominado nitrificação.
O nitrato permanece livre no solo, e não possui tendência de se acumular em ambientes naturalmente intactos, fazendo com que ele possa percorrer três caminhos diferentes: ser absorvido pelas plantas, ser desnitrificado, ou atingir corpos d'água. Tanto a desnitrificação quanto o fluxo de nitrato para os corpos d'água apresentam consequências negativas para o meio ambiente.
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Impactos no meio ambiente

A desnitrificação (ou desnitrificação) é um processo realizado por bactérias denominadas desnitrificantes, que transformam o nitrato em N2 novamente, realizando a devolução do nitrogênio à atmosfera. Além do N2, outros gases que podem ser produzidos são o óxido nítrico (NO), que se combina com o oxigênio atmosférico, favorecendo a formação da chuva ácida, e o óxido nitroso (N2O), que é um importante gás causador do efeito estufa, que agrava o aquecimento global.
O terceiro caminho, que é aquele em que o nitrato atinge os corpos d’água, causa um problema ambiental chamado eutrofização. Esse processo é caracterizado pelo aumento da concentração de nutrientes (sendo eles compostos nitrogenados e fósforo, principalmente) nas águas de um lago ou represa. Esse excesso de nutrientes favorece a multiplicação acelerada de algas, que termina por dificultar a passagem da luz, desequilibrando o meio aquático. Outra forma de proporcionar esse excesso de nutrientes em um meio aquático é liberando nele esgoto sem tratamento adequado.
Outra questão a ser considerada é o fato de que o nitrogênio pode também ser prejudicial às plantas quando presente em quantidades que vão além de suas capacidades de assimilação. Assim, um excesso de nitrogênio fixado no solo pode limitar o crescimento da planta, prejudicando culturas. Dessa forma, a relação carbono/nitrogênio também deve ser considerada em processos de compostagem, para que sempre se mantenham ativos os metabolismos das colônias de micro-organismos envolvidos no processo de decomposição.



Absorção de nitrogênio pelo homem

Os seres humanos e outros animais têm acesso ao nitrato a partir da ingestão de plantas que absorveram essa substância ou, de acordo com a cadeia alimentar, a partir da ingestão de outros animais que se alimentaram destas plantas. Esse nitrato retorna ao ciclo a partir da morte de algum organismo (matéria orgânica) ou pela excreção (de ureia ou ácido úrico, na maioria dos animais terrestres e de amônia, nas excretas dos peixes) que apresenta compostos nitrogenados. Assim, bactérias decompositoras agirão sobre a matéria orgânica liberando amônia. A amônia também pode ser transformada em nitritos e nitratos pelas mesmas nitrobactérias que transformam o amônio, integrando-se ao ciclo.

Uma alternativa aos fertilizantes

Como vimos, a fixação de nitrogênio no solo pode produzir efeitos positivos, mas o processo ocorre em excesso, pode gerar consequências negativas para o meio ambiente. A interferência do homem no ciclo do nitrogênio se dá pela fixação industrial (por meio do uso de fertilizantes), que aumenta a concentração de nitrogênio a ser fixada, ocasionando problemas como os citados anteriormente.
Uma alternativa para o uso dos fertilizantes seria a rotação de culturas, alternando culturas de plantas fixadoras e não fixadoras de nitrogênio. Plantas fixadoras de nitrogênio são aquelas que possuem bactérias e outros organismos fixadores associados a suas raízes, como ocorre em plantas leguminosas (como o feijão e a soja). A rotação favoreceria a fixação de nitrogênio em quantidades mais seguras que a utilização dos fertilizantes, fornecendo nutrientes compatíveis com a capacidade de assimilação das plantas, favorecendo seu desenvolvimento e reduzindo as taxas de nutrientes que atingem os corpos d'água. Um processo semelhante denominado "adubação verde" também pode ser aplicado em substituição aos fertilizantes.
Este processo consiste em cultivar plantas fixadoras de nitrogênio e roçá-las antes que produzam sementes, deixando-as no local como cobertura morta, para que então sejam feitas culturas posteriores de outras espécies. Logo abaixo podemos conferir uma imagem que nos traz um resumo do que foi visto ao longo da matéria:

ANAMMOX

A sigla em inglês (que significa oxidação anaeróbia de amônia) nomeia um processo biológico inovador de remoção de amônia de águas e gases.
Consiste em um atalho, visto que a amônia não precisaria ser nitrificada em nitrito e nitrato para que fosse denitrificada de volta para a forma de N2. Com o processo ANAMMOX, a amônia seria diretamente reconvertida em gás nitrogênio (N2). A primeira estação de grande escala foi instalada em 2002 na Holanda, e em 2012, já existiam 11 instalações em funcionamento.
Eficiente e sustentável, o processo ANAMMOX pode ser utilizado para remover amônia em efluentes em concentrações maiores até que 100 mg/l. Dentro dos reatores, bactérias nitrificantes e ANAMMOX coexistem, onde as primeiras transformam cerca de metade da amônia em nitretos (compostos químicos que possuem nitrogênio em sua composição), e as bactérias ANAMMOX agem transformando os nitretos e a amônia em gás nitrogênio.
A oxidação anaeróbica de amônia tem se demonstrado promissora, e já pode ser encontrada em processos industriais como tratamento de águas residuárias, de resíduos sólidos orgânicos, em indústrias alimentícias, de fertilizantes, dentre outras.
Fonte: https://www.ecycle.com.br/3056-ciclo-do-nitrogenio.html

Organização Ecológica

NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO EM ECOLOGIA


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Quando estudamos os níveis de organização dos seres vivos, podemos analisá-los a partir de diferentes pontos de vista, como os níveis microscópicos, macroscópicos e acima do organismo. Nesse último caso, os níveis de organização são aplicados à Ecologia, uma parte da Biologia preocupada com o estudo da interação dos seres vivos entre si e destes com o meio.
Os seres vivos podem ser estudados em seis diferentes níveis:
Individual - é o organismo pertencente a uma espécie especifica.
 População - Esse nome é dado ao conjunto de organismos da mesma espécie que vivem juntos em uma determinada área. Uma grande família de leões na savana africana, por exemplo, forma uma população.
Acima do nível de população, temos a comunidade, que pode ser definida como um conjunto de diversos organismos de espécies diferentes que vivem em uma determinada área e interagem entre si. Se tomarmos o mesmo exemplo anterior e analisarmos uma savana, teremos leões, girafas e elefantes vivendo em uma mesma área e formando uma comunidade. Vale destacar que esse nível de organização não é formado apenas pelos animais, as plantas e outros organismos que vivem nesse local também fazem parte dele.
Temos ainda o ecossistema, que é o nome dado à comunidade e todos os fatores abióticos existentes com os quais os seres vivos interagem. Ainda seguindo o exemplo da savana, a água, luz e solo da região, juntamente aos seres vivos, formam o chamado ecossistema. Assim sendo, podemos resumir esse nível de organização como a relação entre os fatores bióticos (vivo) e abióticos (sem vida) de uma área.
Frequentemente os ecossistemas são divididos em aquáticos e terrestres como forma de auxiliar o ensino e a compreensão, entretanto, sua complexidade é bem maior e necessita de um estudo detalhado de todas as interações que ali ocorrem. Como exemplo de ecossistemas, podemos citar os jardins, os oceanos, as florestas tropicais e até mesmo um pequeno aquário. O importante é que nesse local existam fatores bióticos e abióticos suficientes para que a vida seja mantida, formando um sistema estável e autossuficiente.
Temos também os biomas, que é uma região que possui clima distintivo (padrões climáticos durante certo período). O clima determina os tipos de organismos que podem viver naquele bioma. É identificado por sua flora (plantas) e fauna (animais). A Terra é dividida em diferentes biomas.
Por fim, temos a biosfera, que é definida como o conjunto de todos os ecossistemas existentes no planeta. Vale destacar que ela pode ser considerada, em sua totalidade, como o maior ecossistema existente. Esse nível engloba todos os locais onde existe vida, desde a área mais profunda do oceano até as grandes florestas tropicais.
Fonte: https://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/niveis-organizacao

Biomas Brasileiros

São seis os grandes biomas brasileiros (continentais). Os biomas são conjuntos de ecossistemas (vegetal e animal) com uma diversidade biológica própria.
Segundo o IBGE, no Brasil há seis tipos de biomas continentais e um bioma marinho ou aquático. Quais são os biomas terrestres brasileiros, então?
  • Amazônia
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pantanal
  • Pampa

Mapa de Biomas do Brasil

Observe no mapa onde estão localizados os biomas terrestres brasileiros.
Biomas Brasileiros

Biomas Terrestres do Brasil

Por suas dimensões continentais, o país abriga biomas tão distintos entre si como florestas tropicais até a vegetação cerrada. Conheça um pouco mais dessa diversidade:

Bioma Amazônia




Biomas Brasileiros Floresta Amazônica
Bioma Amazônia: rios, mata fechada e uma diversidade biológica insuperável

Considerado o maior Bioma brasileiro e a maior reserva de diversidade biológica do mundo, o bioma Amazônia corresponde a quase metade do território nacional.
Abrange os estados brasileiros do: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima; parte de Rondônia, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins.
O clima dessa região é quente e úmido e sua densa vegetação é caracterizada pela floresta amazônica com árvores de grande porte.

Bioma Cerrado




Bioma Brasileiros Cerrado
O cerrado brasileiro só perde para a Amazônia em termos de diversidade natural

O Cerrado é considerado o segundo maior bioma do Brasil em extensão. Ele abrange os estados do: Maranhão, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins. Além disso, ocupa uma pequena área de outros seis estados.
O clima predominante no cerrado é tropical sazonal, com períodos de chuvas e de secas. Já a sua vegetação, é caracterizada por árvores de troncos retorcidos, gramíneas e arbustos. Em geral, as árvores são de pequeno porte e esparsas.



Bioma Caatinga




Bioma Caatinga
O Xique-xique é um cacto típico da caatinga nordestina

A Caatinga ocupa grande parte da região nordeste do país. Ela abrange os estados do: Ceará, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe.
Além disso, há presença desse tipo de bioma em pequenas partes dos estados do Maranhão e de Minas Gerais.
Típico do clima semi-árido, localizado no sertão nordestino, a caatinga apresenta uma vegetação arbustiva de médio porte, com galhos retorcidos e folhas adaptadas para os períodos de secas. Os cactus são característicos da Caatinga.

Bioma Mata Atlântica




Bioma Mata Atlântica
As cachoeiras e nascentes d'água fazem parte da paisagem das serras da Mata Atlântica

A Mata Atlântica ocupa a faixa litorânea de norte à sul do país. Assim, ela engloba a totalidade de três estados brasileiros: Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina; grande parte do Paraná e pequenas porções de onze estados.
O clima predominante é tropical-úmido com altas temperaturas e índice pluviométrico. A vegetação nesse bioma é marcada pela presença de árvores de grande e médio-porte formando uma floresta densa e fechada.

Bioma Pantanal




Bioma Pantanal
O Jaburu é a árvore-símbolo do Pantanal

O Bioma Pantanal, considerado o de menor extensão territorial do país, abrange dois estados brasileiros, a saber: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O clima predominante é tropical continental com altas temperaturas e chuvas, de verão chuvoso e inverno seco.
A vegetação do pantanal é marcada pelas gramíneas, árvores de médio porte, plantas rasteiras e arbustos. O nome desse bioma remete às regiões alagadiças presentes, ou seja, os pântanos.

Bioma Pampa




Bioma Pampa
O Pampa serve de pastagem natural para milhares de animais

O Pampa é o único bioma exclusivamente brasileiro. Ele ocupa mais da metade do território do Rio Grande do Sul.
O clima é subtropical com as quatro estações do ano bem definidas e sua vegetação é marcada pela presença de gramíneas, arbustos e árvores de pequeno porte.
Além disso, esse bioma é constituído de amplas áreas de pastagens, onde se desenvolvem grandes rebanhos.

Biomas aquáticos

Os biomas aquáticos correspondem aos ambientes de água doce (lagos, rios, igarapés...) e salgada (mares e oceanos). Eles são tão ricos em diversidade de espécies quanto os terrestres e também precisam ser conservados.
A maior parte do nosso planeta, mais de 70%, é constituído por água salgada. O bioma marinho é classificado conforme a profundidade da água e das regiões iluminadas ou não pelos raios solares.
Já os biomas de água doce abrangem os córregos, lagos, lagoas, geleiras, reservatórios subterrâneos e rios.

Curiosidades

  • Juntos, os biomas da Amazônia e da Mata Atlântica ocupam 100% de oito estados brasileiros.
  • O Bioma Amazônia e o Bioma Pantanal ocupam juntos mais de metade do Brasil.
  • A maior planície inundável do mundo é o pantanal mato-grossense.
  • Atualmente, a Mata Atlântica corresponde a apenas 7% de sua área original.

Fonte: https://www.todamateria.com.br/biomas-brasileiros/



As Causas das Grandes Extinções

A extinção dos seres vivos

Cambriano: a “grande explosão” da vida.

            Por várias vezes, os seres vivos do nosso planeta estiveram expostos ao perigo da extinção, mas conseguiram escapar e sobreviveram até os nossos dias.
            Na história da Terra, iniciada há 4,6 bilhões de anos, a origem da vida ocorreu há cerca de 3,8 bilhões de anos. As primeiras formas de vida eram representadas por seres com células primitivas, ainda desprovidas de núcleo celular. Em seguida surgiram as algas verdes primitivas, ainda e os seres compostos por células com núcleos, e finalmente, há 1 bilhão de anos, apareceram nos oceanos os seres multicelulares. Os animais das primeiras fases, a partir de cerca de 700 milhões de anos, estão representados na “Fauna de Ediacara”, composta de seres com forma de medusa e de anêmona do mar. Os 3 bilhões de anos subseqüentes à origem da vida, em termos de evolução orgânica, correspondem à “fase de aquecimento” e estão incluídos no Pré-Cambriano.

            A Fauna de Ediacara era um grupo de fósseis de animais marinhos do fim do Pré-cambriano descoberto em 1947, nas colinas de Ediacara, sul da Austrália, a 450 km a oeste de Adelaide. O conteúdo fossilífero, tal como no “folhelho de Burgess”, distingue-se nitidamente dos fósseis mais comuns do Cambriano. Entre os fósseis, há Sprigia (medusa), Dickinsonia (semelhante a medusa), etc. bem preservados, apesar da idade muito antiga. Fósseis semelhantes aos de Ediacara ocorrem também na África do Sul e na Inglaterra.

            Com a chegada do Período Cambriano, há 550 milhões de anos, ocorre um evento muito importante na evolução da vida; algumas dezenas de espécies existentes até então são repentinamente acrescidas por mais de 10 mil espécies de novos seres vivos. Esse evento é conhecido como a “grande explosão” na evolução orgânica dos seres vivos.
            As formas primitivas de seres vivos com carapaça hoje existentes tiveram sua origem no Cambriano, juntamente com os primeiros animais carnívoros da “Fauna de Burgess”. Entre estes, encontra-se o Anomalocaris, um animal carnívoro parecido com um camarão gigante, com corpo de 50 a 60 cm de comprimento, que dominava os oceanos. Desse modo, o tranqüilo paraíso da Fauna de Ediacara havia se transformado num mundo em que vigorava a lei do mais forte.

            A Fauna de Burgess está contida em folhelho (rocha pelítica) de cor escura do Sistema Cambriano Médio das montanhas Rochosas, no Canadá. A flora em encosta, a 2.600m de altitude, em local de acesso difícil; isso explica por que só foi adequadamente estudada em 1966, embora tenha sido descoberta em 1910.
            Diferentemente das associações faunísticas do Cambriano, onde predominam trilobitas e braquiópodes, esse folhelho contém mais de cem espécies de trilobitas, crustáceos, esponjas, celenterados, anelídeos, etc. Aparentemente, o paleoambiente era de laguna com circulação restrita, imprópria à vida da maioria das bactérias.


            Várias hipóteses tentam explicar por que nessa época ocorreu tão espetacular evolução orgânica dos seres vivos, mas não se conhece exatamente a verdadeira causa. Entretanto um fato bastante interessante é que, há 570 milhões de anos, teria ocorrido fragmentação do supercontinente Gondwana. A “grande explosão” orgânica do Cambriano teria ocorrido “logo depois” – 20 milhões de anos após.
            Talvez tenha ocorrido uma repentina reativação de uma superpluma, que causou movimentos crustais com conseqüentes perturbações no ecossistema. Esses eventos podem ter propiciado o surgimento de grande quantidade de novos seres vivos.
            Há 510 milhões de anos teria havido a primeira crise para os seres vivos do Cambriano. As trilobitas, que até então se mantinham no papel de alimento para a “Fauna de Burgess”, iniciaram repentina evolução, assumindo várias formas. Esse fato provocou um sério problema de falta de alimento para a Fauna de Burgess, levando à extinção de muito animais marinhos.
            Alguns cientistas defendem uma hipóteses contraditória à falta de comida: por alguma razão, teria ocorrido um empobrecimento de oxigênio na água do mar e essa pode ser a causa das extinções. Entretanto, na época, o oxigênio era abundante por toda a Terra, de modo que o eventual incidente de anoxia poderia ter uma influência apenas local. Portanto as causas ainda não estão esclarecidas. Parece muito convincente a idéia de que as trilobitas teriam evoluído para não ser devoradas pelos animais carnívoros. Seja como for, o Anomalocaris, que dominava os mares cambrianos, acabou sendo extinto. Mesmo para um “rei”, a extinção é condição definitiva, sem retorno. Seria essa uma “lei da evolução”?

A maior tragédia da história da Terra

            A segunda crise ocorreu há 440 milhões de anos. A superfície terrestre foi recoberta por grandes geleiras, que levaram à extinção de 22% dos seres vivos marinhos. Há 370 milhões de anos, no Período Devoniano, ocorreu novo resfriamento global, com a morte de várias espécies de coral e de peixes ostracodermes (providos de placa óssea; viveram no Siluriano Superior e Devoniano Inferior, em águas continentais rasas), extinguindo-se 21% dos seres vivos marinhos.
            Uma das maiores crises enfrentadas pelos seres vivos da Terra ocorreu no fim do Paleozóico, há 250 milhões de anos. A começar pelas trilobitas, cerca de 90% dos seres vivos marinhos desapareceram. Esse fato tem sido relacionado à falta de comida, à glaciação e ao vulcanismo. Todas essas possíveis causas, entretanto, não conseguem explicar adequadamente o fenômeno. É possível que esteja mais ligado à fragmentação da Pangéia.
            De maneira semelhante à fragmentação do Gondwana, pode-se supor que a fragmentação do supercontinente Pangéia também tenha produzido profundas modificações nos ecossistemas. A dinamização da crosta terrestre pela ação de superplumas pode ter ativado também o vulcanismo. A atmosfera teria, então, enriquecido em dióxido de carbono e o efeito estufa subseqüente deve ter produzido mudanças paleoclimáticas. Pode-se pensar que muitos daqueles seres vivos não tenham conseguido se adaptar a essas bruscas variações paleoambientais. Quando se fala em extinção de seres vivos, geralmente nos lembramos da extinção dos dinossauros, que foi bem menos espetacular quando comparada à do fim do Paleozóico.
            O mundo natural, entretanto, é muito difícil de ser apropriadamente decifrado. Apesar da trágica extinção – sem precedentes na história do planeta Terra – que atingiu a fauna paleozóica, as faunas marinhas mesozóicas e cenozóica tornaram-se mais prosperas e mais numerosas. Os seres vivos marinhos passaram por diversificações e reorganizações explosivas. Esse fato tem sido designado por alguns pesquisadores como “revolução marinha mesozóica”. A diversificação da atual vida terrestre parece ter sido propiciada justamente pela grande tragédia que atingiu a fauna paleozóica.
            Há 210 milhões de anos, logo após o inicio da Era Mesozóica, ocorreu uma “quase-extinção” dos répteis do Período Triássico. Um pouco mais tarde, houve a eliminação parcial de moluscos (bivalves e cefalópodes) e alguns peixes (Agnatha) e conodontes nos oceanos. Aponta-se como causa dessas extinções a desertificação em escala mundial que ocorreu naquela época. Logo após a fragmentação da Pangéia, a maior parte dos continentes encontra-se nas proximidades do Equador. Examinando os depósitos sedimentares continentais do Triássico, verifica-se ampla distribuição de sedimentos avermelhados, bastante comuns em desertos quentes, as chamadas “camadas vermelhas” (red beds).
            A desertificação e a aridificação afetaram os animais terrestres e muitos animais marinhos paleozóicos, mas a fauna marinha mesozóica permaneceu ilesa. Essas modificações paleoambientais não foram capazes de interromper o desenvolvimento exuberante dos seres vivos pós-mesozóicos.

A extinção dos dinossauros

            As poucas espécies sobreviventes de répteis continuaram sua evolução. Entretanto o “superastro” representado pelo dinossauro desapareceu há 65 milhões de anos, no fim do Período Cretáceo.
            Quando se pensa na provável causa de desaparecimento dos dinossauros, uma das hipóteses mais aceitas é a da mudança paleoclimática pelo impacto de um gigantesco meteorito na Península de Iucatã, no México. Essa cratera essa circundada por mais outros dois anéis, de 240 e 300km de diâmetro. Isso só poderia ser causado por um enorme asteróide, e cientistas descobriram, com incrível precisão, a idade da cratera: 64,98 milhões de anos atrás. O asteróide chocou-se a 72.000km/h. A força de impacto foi de mais de 10.000 megatons, equivalente a 1 milhão de bombas de Hiroshima, e as áres a menos de 1000km do local de impacto foram atingidas por ondas de até 1km de altura. O choque levantou 1,5 quatrilhão de poeira, vapor d'água e ácido sulfúrico. A nuvem encobriu toda a Terra, e impediu a passagem de luz do Sol por dois anos.O “inverno de impacto” seria comparável ao hipotético “inverno nuclear” do astrônomo norte-americano Carl Sagan.O impacto do meteorito, do mesmo modo que uma hipotética guerra atômica entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, colocaria em suspensão na atmosfera tal quantidade de poeira, que diminuiria em muito a incidência dos raios solares. Isso baixaria a temperatura superficial do planeta em algumas dezenas de graus.
            Na região costeira da Península de Iucatã, onde hipoteticamente teria ocorrido o impacto do meteorito, realizaram-se muitas perfurações submarinas profundas, em 1985, patrocinadas pelo projeto internacional ODP. Vários métodos foram empregados na tentativa de se determinar a causa de extinção dos dinossauros. Embora tenham sido constatadas mudanças paleoclimáticas repentinas, como de aquecimento global atribuível a fluidos do efeito estufa, a causa direta do desaparecimento ainda não foi esclarecida.
            Outros pesquisadores atribuem a extinção dos dinossauros a mudanças paleoclimáticas provocadas por atividades vulcânicas no Platô de Deccan, na Índia. Porém essa idéia se mostra pouco convincente, uma vez que o platô é constituído de lava vulcânica fluida e pouco explosiva. É difícil, portanto, imaginar que seus efeitos pudessem ter alcance mundial. Uma outra teoria tem chamado mais a atenção de pesquisadores: é a que tenta explicar o desaparecimento daqueles animais por mudanças no ecossistema vegetal, com evolução das gimnospermas para angiospermas. Os dinossauros herbívoros, que se alimentavam principalmente de gimnospermas, teria ficado sem comida. A retirada de cena dos dinossauros, que lideravam os répteis, cena lugar aos mamíferos na Era Cenozóica.
Robert T. Bakker, um dos mais renomados paleontólogos de todos os tempos lançou a hipótese de que a causa da extinção dos dinossauros foi comportamento. Suas palavras foram mais ou menos essas:
"Há 65 milhões de anos os dinossauros foram extintos por causa de um meteoro, certo? Eu acho que não. Se um meteoro cai, impede a passagem de luz do sol, muda a temperatura global e e inunda várias áreas, quem teria mais chances de desaparecer: o dinossauro ou a tartaruga tropical?
Naquela época todos os dinossauros foram extintos, mas a tartaruga tropical não. E não existe nada mais sensível do que uma tartaruga tropical. Qualquer mudança climática repentina, qualquer mudança na temperatura da água a levaria a morte. Agora imagine toda a destruição causada pelo meteoro, e imagine, depois de todos aqueles dinossauros mortos, a tartaruga nadando calmamente. Impossível.
Então, você se pergunta, o que causou a grande extinção? Bem, a minha idéia é de que a causa foi comportamento. Os dinossauros dominaram a terra por mais de 160 milhões de anos. Resistiram a outras duas grandes extinções: a do final do Triássico, e a do final do Jurássico. Se adaptaram, se reproduziram e passaram a ser encontrados em todos os locais do mundo, até na Antártida. Eram seres complexos, e de comportamentos complexos. Acho que eles chegaram a um ponto, após se adaptarem tão bem ao ambiente, que não precisavam mais se adaptar. E isso causou um desequilíbrio, levando-os a morte."
            Desse modo, observando a história das grandes extinções, podemos considerar, como algumas de suas principais causas, os eventos de resfriamento global da Terra. Esses eventos poderiam ser originados pela dinâmica crustal ligada à fragmentação de supercontinentes e por “invernos de impacto” de grandes meteoritos. As condições de anoxia, que são favoráveis à geração do petróleo e gases naturais, não teriam influído de  modo decisivo na extinção dos seres vivos. De fato, parece que os seres vivos extinguiram-se por mudanças paleoambientais maiores que a capacidade de adaptação desses organismos.
            Entretanto a extinção dos grandes mamíferos, que ocorreu entre 10 mil a 20 mil anos atrás, parece seguir um padrão diferente das demais. Entre esses mamíferos havia desde animais do tamanho de um lobo até animais bem maiores, como o bicho-preguiça gigante (Megatherium americanum), o tigre dente-de-sabre e o mamute. O desaparecimento desses animais parece ter sido causado pelo ser humano, que ignorou as leis da natureza, caçando-os até o seu completo extermínio. Recentemente, as baleias, que são os maiores animais vivos, foram colocadas em situação de perigo pela intensa caça predatória.
Todos os seres vivos estão à mercê da extinção, incluindo os seres humanos. Entender a extinção dos dinossauros é uma forma também de prever qual será nosso futuro e se teremos condições de reverter uma possível ameaça de aniquilação.


Referência Bibliográfica

  1. Suguio K., Suzuki U. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. Ed. Afiliada, 1ª Ed., São Paulo, 2003.

  1. BARRETT, Paul et al. Dinossauros. São Paulo, Martins Fontes, 2002.
  2. DORLING KINDERSLEY PUBLISHING. Dinossauros: Guia interativo do mundo dos dinossauros. Rio de Janeiro, GLOBO, 1998.
  3. GEWANDSZNAJDER,  Fernando. Dinossauros. 5. ed. São Paulo, Ática, 1999.

  1. DESALLE, B. & LINDLEY, D. Jurassik Park e o mundo perdido, ou como fazer um dinossauro. Rio de Janeiro, Campus, 1998.
  2. KELLNER, A.W.A., SCHWANKE, C., CAMPOS, D.A. O Brasil no tempo dos dinossauros. Rio de Janeiro, Museu Nacional, 1999.  

  1. PRÉ-HISTÓRIA. São Paulo, Ática, 1996. (Série Atlas Visuais)

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